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	<title>Revista Muito</title>
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		<title>&#8220;Sou um agenciador de ritmos&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 13:15:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[abre aspas]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Kátia Borges</strong></p>
<p><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/040512Muito3218.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-7980" title="Foto: Alexandre Brum / Ag. A TARDE" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/040512Muito3218.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p>Uma serenidade cativante  pontua cada uma das frases ditas, ao telefone,  por Gilberto Gil. Seja quando ele fala sobre o formato acústico do show Concerto de Cordas &amp; Máquinas de Ritmo, que será apresentado em Salvador, nesta sexta e sábado, na Sala Principal do TCA, com participação da Osba. Seja quando relembra  os   três anos de exílio em Londres  nos anos 1960 – de onde retornou há 40 anos – e  para onde volta agora, mais uma vez, como uma das principais atrações do festival London 2012, que integra a programação cultural das Olimpíadas. Seja quando comenta  suas descobertas ao chegar aos 70 anos, completados e comemorados em junho próximo, num balanço da vida e da carreira. Esse menino baiano, crescido no bairro do  Tororó, que ouvia e gostava de música clássica e de  toda variedade de canções populares, admite  situar-se, muito confortavelmente, na história da MPB,  como um agenciador de ritmos, sempre com um olho atento às coisas nativas e o outro ligado no mundo. Nesta entrevista, Gil fala também sobre o site www.jobim.org/gil/, que disponibiliza 30 mil documentos pessoais do seu acervo – desenhos, cadernos de anotações, fotos –, e sobre  a vontade que sente de voltar a morar em Salvador.</p>
<p><strong>NOVO SHOW</strong><br />
Na verdade, esse formato é resultado de experiências que já vêm sendo feitas desde Banda Dois, que eu fazia com Bem, meu filho, só eu e ele. Depois, numa segunda temporada, incorporamos o Jaquinho (Jaques) Morelenbaum com o violoncelo e algumas alterações, acréscimos, no repertório. E agora estamos fazendo esse Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo, que incorpora mais o violino de Nicolas Krassik e a percussão do Gustavo de Dalva. O termo “máquina de ritmos”, que se acrescenta ao título, é exatamente  por conta desta inserção das máquinas de ritmo, os instrumentos acústicos, os tambores, o berimbau, enfim. E as máquinas eletrônicas, que também aparecem aqui e ali, em alguns momentos do repertório.</p>
<p><strong>MEMÓRIA</strong><br />
Depois de tantos anos de trabalho, há uma decantação natural de memória. Essa memória, acumulada em vários tipos de suporte na fase analógica, vai agora para a digitalização. Na medida em que as tecnologias foram se ampliando, tornando-se audiovisuais e táteis, foi  ficando meio inevitável fugir. Você tem que utilizar, inclusive para propiciar um acesso mais abrangente, mais universal. Os acervos digitais, você pode tê-los nos computadores, em casa, nos telefones, televisores, iPads, em todos esses aparelhos que formam essa grande janela audiovisual. A ideia nasceu disso, meio obrigatória, meio imposta.</p>
<p><strong>UNIVERSO DIGITAL</strong><br />
Tudo isso é muito novo, há aspectos que ainda são muito experimentais, incipientes, as coisas estão ganhando conformação agora. Na verdade, a gente não pode falar de um universo digital já consolidado, já implantado com todos os seus corpus, todos os seus astros, todas as suas dimensões. Há muita variação, muitas possibilidades. Uma coisa que você tocou, por exemplo, no fato dos álbuns, do formato álbum, da necessidade que as pessoas ainda têm de ter capas, encarte, informações ligadas a textos, fotografias, ao making of dos projetos. Tudo isso recupera também, digamos assim, garante trabalho, ocupação e importância a programadores visuais,  designers,  fotógrafos, artistas plásticos, enfim. Então, ao mesmo tempo que essas tecnologias aposentam muita coisa, elas reintroduzem, reciclam várias possibilidades novas. Não é uma coisa assim que vá acabar com tudo que acontecia antes, que vá abolir completamente as formas de registro anteriores para inaugurar uma coisa completamente nova. Não, é como o próprio cinema, como a própria televisão. A televisão recuperou muita coisa do rádio, incorporou muita coisa do cinema. Da mesma maneira, a internet e todas estas mídias novas estão incorporando coisas das mídias anteriores.  O futuro, de certa forma, vai se formando com camadas de presente e de passado.</p>
<p><strong>MÚSICA E  CLASSE C</strong><br />
É  uma mixagem dos velhos Brasis. O baião é um dos gêneros matrizes da coisa brasileira, como é o samba. Samba e baião são, talvez, os dois grandes gêneros matriciais.  Ao mesmo tempo, ao longo da história, eles foram produzindo filhotes, descendentes, derivados. Então, você tem o samba, cuja fotografia principal, digamos assim, era o Rio de Janeiro, urbano, cosmopolita. Com os novos meios de comunicação, as novas técnicas de reprodução, outras formas de samba, regionais, rurais, foram sendo incorporadas. A mesma coisa aconteceu com o baião, representado magistralmente por Luiz Gonzaga. Hoje, você tem os baiões das regiões todas do Brasil. Os baiões amazônicos, os baiões nordestinos, os baiões mineiros, que vão ganhando novos títulos, tornando-se subgêneros,  numa divisão enorme de categorias e subcategorias. E é isso, essa é a realidade da música brasileira hoje. Você vai ampliando essas grandes matrizes de gêneros e elas vão se tornando armazéns enormes onde você tem subprodutos e subprodutos e subprodutos. Há muita coisa nova no Nordeste, no Sul, no Centro-Oeste, em vários lugares. Isso tem a ver com essa questão de que o interior vai se tornando capital e a capital vai se tornando interior, o mar vai virando sertão e o sertão vai virando mar.</p>
<p><strong><span id="more-7979"></span>70 ANOS DE VIDA E DE MÚSICA  </strong><br />
Foi do meu destino ser esse elemento propiciatório de processos pluralizantes, de processos miscigenantes. Eu fui assim desde menino, ouvia muito, ouvia tudo, ouvia desde música clássica  a toda variedade de música popular a que era possível  ter acesso naqueles primeiros tempos, entre os anos 1940 e 1960. Depois, veio toda essa onda, com a possibilidade de acesso aos modelos internacionais, aos gêneros universais, que foram se misturando com a música brasileira. E eu sempre agenciando, sempre me colocando à disposição desse agenciamento, uma coisa que uma vez um antropólogo chamou de mercadores de ritmos, que saíram pelo mundo, na segunda metade do século 20, com o advento das tecnologias novas de comunicação, mercando ritmos e intercambiando gêneros musicais entre as Américas e a África, a Ásia e a Europa e assim por diante. Então eu me tornei um artista que processa isso o tempo todo, as coisas nativas, brasileiras. Eu sou muito baiano, tenho muito apreço pela dimensão local, pelas coisas regionais. Mas, ao mesmo tempo, fui sempre muito atento às coisas do mundo, ao movimento musical que veio com o cinema americano, depois da Segunda Guerra, a força do cinema americano, trazendo hábitos novos daquela juventude, que foram, por sua vez, reprocessados com elementos locais, criando novas brasilidades, novas formas de música brasileira, de cinema brasileiro, de televisão brasileira. E eu estive sempre no meio de tudo isso  confortavelmente me colocando como agenciador desses processos. Foi assim, foi meu destino. A vida me levou a isso, e agora, aos 70 anos, só tenho que fazer as contas (risos).</p>
<p><strong>A NOVA MÚSICA DA BAHIA</strong><br />
Não tenho tempo físico disponível para ouvir todos os discos. Mas a gente, no percurso natural que  vai fazendo pela rua do mundo, vai passando, e cada janela tem uma coisa, cada porta tem uma coisa, cada lugar tem uma coisa. Você vai  vendo tudo e, no final da rua,  acaba tendo um panorama geral atualizado, ainda que parcialmente, daquilo que vai ser a edição de amanhã, que vai ser a rua amanhã. Você citou Márcia Castro e eu  sei quem é ela, cantei com ela no Expresso 2222. Sei do sentido eclético que ela procura dar ao que faz. Márcia é interessada em tudo que já foi acumulado, muita coisa do passado, das heranças, mas já projetando uma nova fase criativa, um novo momento. Ela representa muito bem essas novidades.</p>
<p><strong>A BAIANIDADE ACABOU</strong><br />
Tenho a impressão de que quando Milton Moura fala isso (na Muito, edição 202), que a baianidade acabou, o que ele quer dizer é que os modos consolidados que representavam essa baianidade foram sendo diluídos nessas novas garapas, nesses novos refrescos, nesses novos refrigerantes que vão surgindo com a pós-modernidade. Uma das características da pós-modernidade é a fragmentação, nada tem mais um corpo sólido, bem delineado, tudo é uma soma meio caótica de elementos variados. É essa fragmentação que invade a baianidade, e quaisquer outras identidades. Mas, ao mesmo tempo, uma espécie de espírito geral do que marcou aquelas identidades vai permanecendo, vai se transferindo para esses corpos fragmentários. Eu não ousaria dizer que a baianidade acabou, porque, quando você chega a Salvador, ou aos interiores da Bahia, que formaram a baianidade, você ainda encontra muito disso, as falas, os modos afetivos. Apesar da transformação imposta pela televisão, ainda existem formas gregárias, as festas, pilares do imaginário popular, que se mantém no modo de se vestir, no modo de andar. Se você chega a Salvador e vê os rapazes e as moças – ou mesmo pessoas mais velhas –  andando, na praia ou em qualquer lugar, e você compara com cariocas, paulistas, pernambucanos, você vê ali um traço claro de baianidade, é só prestar atenção. Está no inconsciente. Essa baianidade consciente, produtora de um discurso identitário, de uma narrativa de modos de constituição, isso pode estar se perdendo, mas a alma, uma coisa que não se vê (risos), isso, se você prestar atenção, está lá. O problema é que a gente não tem mais tempo de ver as diferenças, fica querendo que tudo se reduza a uma homogeneidade global. Nesse sentido, sim, a baianidade acabou. Mas não só a baianidade, a americanidade, o modo inglês, o modo francês, a China então nem se fala (risos). Tudo está virando outra coisa. Mas, ao mesmo tempo, essas particularidades que pertencem ao espírito, que não são da dimensão do palpável, que pertencem ao intangível. Patrimônio intangível (risos). A baianidade é isso! Nesse campo, quem pode, com certos tentáculos da alma, atingir esses corpos sutis da intangibilidade, vai encontrar a baianidade lá. Basta passar pelo Porto da Barra, Rua Chile, entrar no Mercado Modelo, você vai encontrar –  num grito, num dizer, numa nova gíria –, você vai reencontrar Cuíca de Santo Amaro.</p>
<p><strong>A CIDADE</strong><br />
Tenho pensado em voltar a morar em Salvador. Vou voltar, sim. E  venho acompanhando as inquietações, as insatisfações, cíclicas, em relação aos governantes, em relação ao modo de inserção do Estado na vida da cidade, a questão do diálogo entre cidadania e governo, governança e cidadania, como é que as pessoas querem ser governadas e como elas querem participar, opinar sobre o design físico e o design espiritual que a cidade dever ter, precisa ter. Venho acompanhando tudo isso, e foi sempre assim. Mas hoje isso é intensificado pela agilidade dos meios, das redes sociais e das formas contemporâneas de protesto.</p>
<p><strong>A POLÍTICA</strong><br />
Não penso em voltar a ser parte do estamento político tradicional. Mas, como cidadão, estou sempre prestando atenção a tudo e contribuindo com fragmentos de participação. Não quero ser político e, na verdade, nunca fui, salvo em pequenos períodos, em que a interface política era obrigatória, em que eu tinha que ter uma relação natural, exigida, com o mundo político. Mas não quero reeditar isso na minha vida de jeito nenhum. Só se acontecer por ingerência do destino (risos).</p>
<p><strong>O EXÍLIO</strong><br />
Nos três anos em que vivi em Londres, aprendi a gostar mais amplamente da música pop, a conviver com a variedade do rock, com os novos hábitos da juventude, essas coisas que hoje estão amplamente disseminadas, as formas novas de indumentária, de ornamentação, de moda, do trato do corpo. Quando fui para lá, essa pós-modernização estava apenas começando. Eu me beneficiei, tanto no sentido positivo quanto no sentido negativo, essas coisas entraram na minha vida, para o bem e para o mal. Foi um período de crescimento, de enriquecimento, de continuidade da caminhada. Não tenho um sentimento de extirpar da minha história o exílio. Aprendi ali muita coisa que passei a usar na minha vida. Foi no exílio que aprendi a ser band leader (risos), a ficar à frente de uma banda e a levantar a galera. Não que aquela escola tenha sido a única, mas passar por ela foi fundamental.</p>
<p><strong>DE VOLTA A LONDRES</strong><br />
Na verdade, ao longo dos últimos 40 anos, eu tenho voltado a Londres muitas vezes e em circunstâncias variadas, especialmente como artista. E tenho acompanhado as transformações da cidade. Londres mudou muito, perdeu aquela marca muito inglesa, com elementos da migração asiática, da Índia, e da migração da América Central, da Jamaica, ficou mais cosmopolita, cheia de gente do mundo inteiro. A Inglaterra se abriu para a Europa, porque ela tinha uma pendenga histórica com a Espanha, com a França e com a Alemanha. Hoje, já não é mais aquela ilha isolada. Você sente em Londres hoje um cosmopolitismo mais internacionalista, semelhante ao que você encontra em Tóquio, em Tel Aviv ou no Rio. Eu desenvolvi uma afetividade especial pela Inglaterra por conta de ter vivido lá, de ter tido um filho que nasceu lá, e considero esse retorno como mais um estágio da relação especial que a  história da minha vida exigiu que eu tivesse com aquele lugar.</p>
<p><strong>Concerto de Cordas &amp; Máquinas de Ritmo</strong> | Gilberto Gil e Osba, sexta e sábado (18 e 19/5), às 21 horas, sala principal do TCA.  Ingressos: R$ 200 (A a W), R$ 140 (X a Z1) e R$ 100 (Z2 a Z11)</p>
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		<title>A elegância romana</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 12:31:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[aninha franco]]></category>

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		<description><![CDATA[Aninha Franco A elegância romana quer saber da elegância soteropolitana. Do politano de Sotero, Salvador. Como é, lá, o atributo de ser eficaz e simples? Como é, lá, a graça de ser, sem dificuldades? A questão é que, para ser elegante, é preciso saber o que se é. É preciso perguntar e ter a possibilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Aninha Franco</strong></p>
<p>A elegância romana quer saber da elegância soteropolitana. Do politano de Sotero, Salvador. Como é, lá, o atributo de ser eficaz e simples? Como é, lá, a graça de ser, sem dificuldades? A questão é que, para ser elegante, é preciso saber o que se é. É preciso perguntar e ter a possibilidade de respostas múltiplas e caminhos multíplices. Somos americanos? Somos jovens demais? Somos religiosos em excesso? Somos os hedonistas máximos abaixo da linha do Equador? Somos profissionais? Promissores? O que somos? O que não já conseguimos ser? O que queremos ser?</p>
<p>Se soubermos, poderemos organizar os desejos individuais, geralmente pequenos, possessivos, geralmente dos tamanhos dos egos que se amam e se admiram apenas porque existem, mas não conseguem flamejar sozinhos. Só as suas somas criam o brilho coletivo quando eles se permitem juntar pensando no todo. Por isso, somos responsáveis pela sociedade que ocupamos.</p>
<p>Pelas ruas que dói a alguns olhar, e que outros nem veem. Ou optam por não ver. Pelo que se passa com o cofre onde é guardado o dinheiro comum para a despesa comum. Pelo que é criado, deixado de criar ou destruído. Pelo que se produz e pelo que se deixa. Pelo que se ganha e pelo que se perde. Uma sociedade não pertence a um governo. Pertence a si. E precisa desejar e executar seus quereres. A desigualdade é desajuste do querer. A ignorância. O desperdício. A burocracia.</p>
<p>Há pessoas elegantes e pessoas enfeitadas, advertia Machado. Não estamos elegantes, e abdicamos do enfeitamento. Estamos sem pele em pele de tartaruga. Há excesso de arrogância e desmazelo, antônimos da elegância. E um campo de batalhas permanentes. De guerras eleitorais. De luta pelo poder como objetivo final. Mas o objetivo final do poder é o que se faz com ele quando se tem o poder. Ou o poder é de interesse coletivo ou é apenas uma aquisição individual. De um tirano. De um partido. De interesses possessivos. O uso de pronomes possessivos, meu, minha, meus, minhas, nosso, nossa, nossos, nossas, faz da Soterópolis, da pólis de São Salvador da Baía de Todos-os-Santos, uma sociedade deselegante.</p>
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		<title>Apresentador da cena</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 10:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quando Camillo Fróes, 28, foi convidado para apresentar o Mê de Música, série de programas para a internet, tratou logo de deixar duas coisas bem claras: não ia ficar de piadinha nem “fazer CQC para constranger as pessoas”. Condições aceitas, embarcou no projeto como se o tivesse visto nascer. A princípio, serão 10 episódios quinzenais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7973" class="wp-caption alignnone" style="width: 610px"><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/030412FV103.jpg"><img class="size-full wp-image-7973" title="" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/030412FV103.jpg" alt="" width="600" height="390" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE</p></div>
<p>Quando Camillo Fróes, 28, foi convidado para apresentar o Mê de Música, série de programas para a internet, tratou logo de deixar duas coisas bem claras: não ia ficar de piadinha nem “fazer CQC para constranger as pessoas”. Condições aceitas, embarcou no projeto como se o tivesse visto nascer. A princípio, serão 10 episódios quinzenais com a missão de explorar os processos da música feita na Bahia, mas a ideia é buscar apoio para continuar pelo menos até chegar aos “397”. “Quero viver disso”. Para passar naturalidade em frente às câmeras, vale-se da experiência nos palcos. Em 2004, ele fundou, com Vinício de Oliveira, A Outra Companhia de Teatro, grupo residente do Teatro Vila Velha. “Não era um ator muito bom, mas Vinício dizia que eu tinha uma qualidade rara: fazer cara de nada, dar um texto neutro. Achava que ele estava me sacaneando, mas isso é verdade. E é algo bom para um apresentador”. Camilo também está à vontade no papel de jornalista “sem diploma” por conhecer de perto a cena que irá retratar. Além de produzir trilhas para espetáculos, já integrou bandas e há cinco anos é DJ, função que assumiu ao criar o Baile Esquema Novo, ao lado de Luciano Matos. Em junho, a festa acontece no dia 16, no Sunshine (Rio Vermelho). Uma atividade menos artística pode se juntar à sua intensa lista de afazeres: quando se formar em antropologia, no meio do ano, quer entreter adolescentes em aulas de ciências sociais.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/-Vk7rArjtGQ" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
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		<title>Entre Roma e Baía</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 12:43:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[aninha franco]]></category>

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		<description><![CDATA[Aninha Franco É possível parafusar os Centros Antigos em Roma? Talvez. Há uma distância de menos de dez horas do Velho Mundo para o Novo. Mas o tempo de Humanidade que os separa é enorme. Os italianos modelaram a urbis ocidental, com quase todos os seus excessos, presentearam o humano com uma dimensão que ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Aninha Franco</strong></p>
<p>É possível parafusar os Centros Antigos em Roma? Talvez. Há uma distância de menos de dez horas do Velho Mundo para o Novo. Mas o tempo de Humanidade que os separa é enorme. Os italianos modelaram a urbis ocidental, com quase todos os seus excessos, presentearam o humano com uma dimensão que ele talvez nem tenha na arte de Miguelângelo, Caravaggio e Da Vinci. E hoje recebem cidadãos do mundo para consumir isso, com bons serviços. Em Roma há problemas, como no resto do planeta, mas se é estupidez escancará-los em áreas produtivas e atrapalhar os negócios da cidade, seu Centro Antigo é perfeito. Come-se bem em qualquer lugar.</p>
<p>ABaía tem construção colonial, mais jovem, gastronomia autóctone, exuberante como a romana, musicalidade ímpar, e a sabedoria tupi de comer as virtudes e cuspir os defeitos. Mas como está a execução do cotidiano? Que casas de shows e que musicais abrigam nossa cornucópia musical? Quando deixaremos de perguntar se a comida ainda está boa, três meses depois do restaurante inaugurado.</p>
<p>Em Roma,  spaghettis, pizzas e, eventualmente, um McDonald’s. Na Baía, os manjares são outros. Bons como se bem-feitos. Angus, moquecas, o malassado de Celina, a rabada de Alaíde, os acarajés de Cira, Regina, Dika. Artistas e empresários do Centro Antigo precisam de uma ordem coletiva para manter a qualidade dos seus cotidianos. No sobrado da Via delle Coppelle, internamente contemporâneo, externamente milenar, é possível perguntar pela Baía velha de bons serviços, atestando um grau mais eficiente da humanidade.</p>
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		<title>Simples e saborosa</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 10:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gastrô]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedro Fernandes Há quem diga que foi sob o sol da Toscana que apareceu a primeira versão da bruschetta, esse antepasto italiano que tem como base sempre uma fatia de pão com algum recheio à escolha do freguês. Diz-se que seu nome deriva da palavra bruscare do dialeto toscano, que quer dizer tostar. Nasceu para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pedro Fernandes</strong></p>
<div id="attachment_7963" class="wp-caption alignnone" style="width: 610px"><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/280412FV09.jpg"><img class="size-full wp-image-7963" title="" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/280412FV09.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Fernando Vivas / Ag. A Tarde</p></div>
<p>Há quem diga que foi sob o sol da Toscana que apareceu a primeira versão da bruschetta, esse antepasto italiano que tem como base sempre uma fatia de pão com algum recheio à escolha do freguês. Diz-se que seu nome deriva da palavra bruscare do dialeto toscano, que quer dizer tostar. Nasceu para ser servido como lanche aos trabalhadores rurais da região, mas se espalhou pelo País e pelo resto do mundo, ganhando as mais diferentes e saborosas versões.</p>
<p>De acordo com o chef Aurélio Agazzi, do restaurante Osteria dell’Agazzi, ela integra a cartela de pratos feitos com simplicidade, por conta da vocação rural da região, mas com sabores elaborados. Ele explica que a base é sempre a mesma. “Uma fatia de pão levemente tostada, com uma ideia de alho e azeite de oliva e o recheio, que podem ser patês, cogumelos ou trufas”.</p>
<p>A mais tradicional leva apenas tomates, cortados  em pequenos cubos, azeite e manjericão, temperados com alho e um pouco de pimenta, exatamente como é servida no Boteco Lupetta, do chef Alessandro Narduzzi, e também na Osteria dell’Agazzi.  Mas, a partir daí, como aconteceu com a pizza, o céu se torna o limite para diversas invenções.</p>
<p>Em uma versão um pouco mais elaborada, Aurélio Agazzi acrescenta aos tomates uma variedade de frutos do mar – como camarão, lagostim, vieiras e queijo –, que se equilibram em sabor sobre uma pequena fatia de pão artesanal, que é produzido no próprio restaurante.</p>
<p>Trata-se de um pão redondo, com centeio, assado em forno a lenha. A dica do chef é que o pão usado seja dormido, para que ele adquira mais consistência e suporte o recheio. Ele vai ao forno, a primeira vez, para tostar levemente (não pode virar torrada) e, uma segunda, apenas para derreter o queijo. Para temperar, ele usa pimenta-do-reino moída, orégano, salsa e manjericão. Para acompanhar a entrada, Aurélio recomenda um bom vinho branco leve ou um espumante.</p>
<p><strong>Pimenta</strong></p>
<p>No restaurante Di Liana, comandado pela veneziana Liana Allegro, o tempero é quase tão forte quanto seu sotaque, que não perdeu mesmo após quase 50 anos vivendo no Brasil. Entre as versões do prato, servida como aperitivo ou entrada, há uma receita bem picante, que leva bastante tomate sem pele, manjericão, parmesão, alcaparras e azeitonas pretas.</p>
<p>Além de friccionar um dente de alho em cada uma das fatias, sempre altas para suportar a grande quantidade de recheio, a receita pede um pouco de peperoncino (um tipo de pimenta-malagueta) amassado sobre o pão, que também é preparado no restaurante. Na massa, são acrescentados ainda queijo parmesão e bacon sem gordura, o que confere um sabor mais forte ao pão, e ao prato como um todo, sem torná-lo pesado. Mas, para quem quiser se aventurar e tentar fazer a receita em casa, Liana avisa que qualquer pão pode ser usado. “O segredo é não economizar nos ingredientes”, recomenda.</p>
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		<title>Rap com ginga</title>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 09:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[bio]]></category>

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		<description><![CDATA[Mr. Armeng chega com o indefectível estilo de rapper americano, mas de longe já se vê que tem mais ginga que marra. Logo que começa a conversar, transforma a impressão em discurso: “Não quero ficar preso ao rap. Quero fazer música baiana”. Nas letras que compõe, nada de protesto. “Falo sobre as coisas simples que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7959" class="wp-caption alignnone" style="width: 376px"><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/260412FV06.jpg"><img class="size-full wp-image-7959" title="" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/260412FV06.jpg" alt="" width="366" height="600" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE</p></div>
<p>Mr. Armeng chega com o indefectível estilo de rapper americano, mas de longe já se vê que tem mais ginga que marra. Logo que começa a conversar, transforma a impressão em discurso: “Não quero ficar preso ao rap. Quero fazer música baiana”. Nas letras que compõe, nada de protesto. “Falo sobre as coisas simples que a gente vive, relacionamentos, festas”. Prefere deixar a militância para a esfera civil. “Sou morador do Nordeste de Amaralina e sempre participo das caminhadas e reuniões do Conselho de Segurança”. Aos 29 anos, ele prepara-se para lançar <em><a href=" http://soundcloud.com/soul-love">Soul love</a></em>, seu primeiro álbum, que está sendo gravado no Freedom Soul Records – estúdio que criou com o amigo DJ Leandro, em Massaranduba – e terá a luxuosa participação de seu pai, Guiguio (ex-Ilê Aiyê). Uma das faixas do disco, <em>A noite é nossa</em>, já virou clipe e está fazendo sucesso na internet. “Queria chamar atenção com um trabalho profissional. Convidei Max Gaggino para dirigir e chamei as pessoas pelo Facebook para participar. Foi inacreditável&#8230; Parecia que não era na Terra”.</p>
<p><iframe src="http://www.youtube.com/embed/q857zC1D__I" frameborder="0" width="560" height="315"></iframe></p>
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		<title>Muito indica: Eletronika – Festival de Novas Tendências</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 13:02:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[muito indica]]></category>

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		<description><![CDATA[Salvador entra no calendário do Eletronika – Festival de Novas Tendências, evento que  terá, nos dias 11 e 12 de maio, a primeira edição na Bahia. Na sexta, as apresentações ficam por conta do capixaba SILVA, que aproxima sonoridades brasileiras da eletrônica;  Wado e seu mix de samba com afoxé (tendo como convidado André Abujamra); [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/180112Dois6543.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-7956" title="Cantor Wado. Foto: Divulgação" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/180112Dois6543.jpg" alt="" width="400" height="600" /></a></p>
<p>Salvador entra no calendário do Eletronika – Festival de Novas Tendências, evento que  terá, nos dias 11 e 12 de maio, a primeira edição na Bahia. Na sexta, as apresentações ficam por conta do capixaba SILVA, que aproxima sonoridades brasileiras da eletrônica;  Wado e seu mix de samba com afoxé (tendo como convidado André Abujamra); e, fechando a noite, o produtor e músico Kassin (com a participação de Arto Lindsay).  No sábado, a noite é das duas atrações internacionais, os norte-americanos Cut Chemist e James Pants. Chemist faz uma ligação do hip hop com a música africana e Pants dialoga com o soul e o rap dos anos 1980, electro-boogie, new wave e disco punk.  O evento se encerra com o projeto Os Três Temores, apresentação especial dos rappers Emicida, Projota e Rashid. No Cineteatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas). A partir das 20h. Ingressos: R$ 20 inteira.<strong> (Nadja Vladi)</strong></p>
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		<title>&#8220;Vivemos num território de boçais&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 13:06:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[abre aspas]]></category>

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		<description><![CDATA[Ronaldo Jacobina Na faculdade de medicina, ele era chamado de Josanildo Dias de Lacerda. Nascido em Monte Horebe, na Paraíba, há 59 anos, o paraibano mais baiano de que se tem notícia é conhecido pela alcunha de Nildão. Jornalista, publicitário, escritor, designer, cartunista, animador, poeta e bon-vivant, já escreveu 15 livros. Para quem trocou a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Ronaldo Jacobina</strong></p>
<div id="attachment_7947" class="wp-caption alignnone" style="width: 610px"><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/150312FV03.jpg"><img class="size-full wp-image-7947" title="" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/150312FV03.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE</p></div>
<p>Na faculdade de medicina, ele era chamado de Josanildo Dias de Lacerda. Nascido em Monte Horebe, na Paraíba, há 59 anos, o paraibano mais baiano de que se tem notícia é conhecido pela alcunha de <a href="http://www.nildao.com.br/ ">Nildão</a>. Jornalista, publicitário, escritor, designer, cartunista, animador, poeta e bon-vivant, já escreveu 15 livros. Para quem trocou a anatomia pelas letras, não tem do que se queixar. Longe dele. Até hoje comemora a mudança de rumo. Tanto que, mesmo tendo conquistado prêmios importantes, como o do  Festival de Cannes, o Oscar  da publicidade, prefere ficar na varanda da charmosa cobertura onde vive, no Rio Vermelho. É de lá, de onde mira o skyline da cidade, que se inspira para as deliciosas criações. Não à toa, a cidade que adotou há 45 anos  foi o principal suporte para a sua arte. Seja no traço, seja na palavra. Ao contrário da maioria dos humoristas, escolheu o caminho da delicadeza para fazer os outros rirem.</p>
<p><strong>Em <em>Me segura que eu vou dar um traço</em>, você diz que este é o primeiro livro baiano sem prefácio de Jorge Amado. Parece que ele não gostou.</strong><br />
Não, ele não gostou. Às vezes eu tenho medo de as pessoas não entenderem a piada. Outra dia, vinha descendo a ladeira aqui de casa, no dia das eleições, e vinha um homem com cara de mau puxando dois cavalos, sem sela, pelo cabresto. Eu não me contive e disse: vai botar para arrotar? Ele disse: “Não, vou não”. Se não entendesse, poderia me dar uma porrada, mas vi que ali tinha uma situação. Há situações em que é complicado se conter. Mas é como respirar, quando você vê já fez a piada. O humor é muito forte. Eu sempre digo que, quando você é pequeno, ou você é forte, ou malvado, ou engraçado, ou vai tomar porrada.</p>
<p><strong>E você optou por ser engraçado?</strong><br />
Claro, não sou forte, não sou malvado, não queria tomar porrada, então decidi ser engraçado.</p>
<p><strong>Você já foi inconveniente?</strong><br />
Não, ainda não. Tem pessoas que dizem para os meus amigos que nunca sabem quando  estou falando sério. Isso é ótimo, porque eu nunca estou falando sério.</p>
<p><strong>Nada que está me dizendo aqui é sério?</strong><br />
Não. E pode não ser verdade também. Por que tem que ser?</p>
<p><strong>Isso já aconteceu?</strong><br />
Mesmo num ambiente muito sério, eu já chego brincando. Talvez seja até uma defesa, porque tenho uma sensibilidade muito aguçada. Às vezes, as coisas são muito graves e eu capto. Chego a um lugar e já sei onde fico, porque capto onde tem uma densidade de energia. Outro dia fui a um candomblé de caboclo, no dia 2 de julho, na casa de um babalu que é irmão de Jota Cunha, eu nunca tinha ido lá. Cheguei e falei: tem uma coisa nessa sala muito forte, então decidi ficar na janela. Na hora em que cheguei à janela, a mulher que estava no lugar de onde eu saí baixou o santo. Então eu tenho essa coisa.</p>
<p><strong>Você tem essa coisa da religiosidade?</strong><br />
Não. Tenho da fé, de acreditar nas coisas, nas pessoas. Acho a religião uma maneira de aplacar a solidão. Nós a inventamos para sair dessa profunda solidão em que vivemos. Agora tenho fé, tanto que fiz uma camiseta usando o logotipo da GE.</p>
<p><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/230610DOIS34783.jpg"><img class="alignnone  wp-image-7946" title="230610DOIS34783" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/230610DOIS34783.jpg" alt="" width="296" height="420" /></a><br />
<strong>Por falar nisso, você criou a  série de santos “geneticamente modificados”, brincou com o logotipo de marcas fortes. Isso  teve alguma implicação?</strong><br />
Já recebi processo. A história dos santos, que criei em parceria com Renato (da Silveira), acabou indo parar no Terra Magazine, do Bob Fernandes, que foi meu colega na Facom (Faculdade de Comunicação). Ele ligou e me perguntou se eu tinha alguma novidade, porque ele estava inaugurando o portal. Eu falei da coleção São será o Benedito, ele gostou, mas disse que teria de pedir autorização à Telefônica, na Espanha, porque a coisa era muito forte. Me ligou de volta dizendo que publicaria apenas 11. Foi um arerê. As pessoas gostaram ou odiaram, até que uma empresa, com sede em Sorocaba (SP), moveu um processo contra a gente. Quando fazia cartum na rua, brinquei com a freira: “Irmã Dulce tem conta na Suíça”, aquilo foi considerado  blasfêmia. Acho que você pode brincar, mas tem gente que não entende. Teve também o “Kremlim não compensa”, que eu previ (risos). Tem essa coisa de ser um pouco Madame Beatriz.</p>
<p><strong><span id="more-7945"></span>Teve o caso do leite Ninho. Como foi?</strong><br />
No livro de grafite, eu coloquei: “Pô, mãe, leite ninho outra vez”. Aí a agenda Tribo publicou sem a minha autorização. Entrei com um processo e eles tiveram de me pagar uma grana boa. Uma semana depois, a Nestlé os obrigou, na Justiça, a colocarem uma tarja em cima do cartum. Eles já tinham rodado 80 mil exemplares (risos).</p>
<p><strong>É fácil desagradar fazendo humor?</strong><br />
Pois é. A gente vive uma fase de muita brutalidade. Eu tenho duas filhas e fico com medo que alguém as provoque e que elas reajam, que tomem um tapa ou até um tiro. Fico deprimido com toda essa brutalidade. Essa relação com o ter e perder a essência do ser, a gente não resolveu, né? Você quer consumir e ponto. Isso está fazendo com que a humanidade perca o senso de humor. Vivemos hoje num território de boçais.</p>
<p><strong>E o humor é para divertir.</strong><br />
Pois é, mas as pessoas não têm mais sensibilidade. Você brinca, mas está arriscado a levar um tiro. Mas eu não desisto. Eu tenho colocado muita coisa no Facebook, que considero um espelho da sociedade.</p>
<p><strong>É isso que leva as pessoas a adotarem a irritante conduta politicamente correta?</strong><br />
Mas ninguém é 100% politicamente correto. A gente se segura para não dizer as coisas.</p>
<p><strong>Essa onda politicamente correta inibe?</strong><br />
A mim, não. A minha maneira de trabalhar é mais doce, eu vou com suavidade. Não que eu tenha medo, mas é porque é o meu estilo.</p>
<p><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/230112Dois856992.jpg"><img class="alignnone  wp-image-7949" title="Exposição do cartunista NildãoTrapézioFoto: Nildão / Divulgação" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/230112Dois856992.jpg" alt="" width="420" height="294" /></a></p>
<p><strong>É por isso que você não trabalha muito com os políticos?</strong><br />
As outras pessoas já fazem isso, e, como tem esse belíssimo território a desbravar, que é o da delicadeza, o da leveza, então por que  não usar? E eu percebo que isso é da minha alma, da minha natureza. É aquela lógica lá de gente lesa gera gente lesa (risos).</p>
<p><strong>O seu trabalho passeia por diversas linguagens. Qual você prefere?</strong><br />
A do momento, porque eu, quando larguei tudo, inclusive um curso de medicina, fui fazer jornalismo, até descobrir que queria mesmo era ser cartunista, talvez fazer um livro ou uma exposição por ano. Depois percebi que podia ser designer gráfico, tanto que quando comecei a escrever Poesia remédio contra azia eu dizia que não era poeta, que escorreguei na poesia, que aquilo era um acidente. Na realidade, eu estou nesse acidente até hoje (risos).</p>
<p><strong>Você está criando um estilo novo?</strong><br />
Eu pretenderia. Não sei se estou criando um estilo novo, mas quero criar. Tenho percebido que já influencio pessoas, sobretudo nos textos curtos. Outro dia, um garoto  lançou um livro com uma poética um pouco parecida com a minha. Também vi um rapaz que lançou um livro de cartuns um pouco parecido com as minha linguagens, então, na realidade, isso  é muito  legal, até porque eu também fui influenciado. Pelo Jaguar, pelo Ziraldo&#8230;</p>
<p><strong>Você gosta de trabalhar com códigos, com mensagens cifradas, por quê?</strong><br />
Porque é um desafio, é um processo associativo, o ser humano está associando o tempo todo, então no humor também é assim.</p>
<p><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/240111Dois52004.jpg"><img class="alignnone  wp-image-7948" title="Na foto: Imagem extraída do livro de NildãoFoto: Reprodução" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/05/240111Dois52004.jpg" alt="" width="420" height="298" /></a><br />
<strong>A escolha por lançar livros em formatos mínimos é porque você acha que as pessoas não leem mais?</strong><br />
É a lógica japonesa: menos é mais. No tamanho, você é econômico, eles são fáceis de transportar, vão no bolso ou na bolsa. Eu tenho uma dificuldade enorme em dar forma à ideia. Então eu deixo fermentando, depois vou tirando, deixando só a essência. Quando fica só essa essência, e ela é compreensível, é porque está bom. Se, além disso, é poético e tem rima, melhor ainda.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Receita da semana: geleia de pimenta dedo-de-moça</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 11:53:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gastrô]]></category>

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		<description><![CDATA[O Gastrô deste domingo mostra como chefs e doceiros estão reinventando a geleia. Anote a receita da geleia de pimenta dedo-de-moça, de Keithy Lima: &#160; Ingredientes 1 xícara de pimenta-dedo-de-moça sem sementes 4 xícaras de água 3 xícaras de açúcar cristal 2 limões Modo de fazer Bata no liquidificador a pimenta com a água e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <em>Gastrô</em> deste domingo mostra como chefs e doceiros estão reinventando a geleia. Anote a receita da <strong>geleia de pimenta dedo-de-moça</strong>, de <a href="http://geleiaeperolas.blogspot.com.br/">Keithy Lima</a>:</p>
<div id="attachment_7941" class="wp-caption alignnone" style="width: 610px"><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/04/190412FV503.jpg"><img class="size-full wp-image-7941" title="" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/04/190412FV503.jpg" alt="" width="600" height="395" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Fernando Vivas | Ag. A TARDE</p></div>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Ingredientes</em><br />
1 xícara de pimenta-dedo-de-moça sem sementes<br />
4 xícaras de água<br />
3 xícaras de açúcar cristal<br />
2 limões</p>
<p><em>Modo de fazer</em><br />
Bata no liquidificador a pimenta com a água e os limões. Junte o açúcar e mexa bem antes de levar ao fogo. Cozinhe até dar o ponto. Tire amostras da mistura e pingue em um copo com água para testar a consistência, lembrando que quando esfriar, a geleia tende a endurecer mais.</p>
<p><em>Dica</em><br />
Use luvas para manusear a pimenta.</p>
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		<title>Muito indica: Circo Tihany</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 11:45:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tatiana Mendonça</dc:creator>
				<category><![CDATA[muito indica]]></category>

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		<description><![CDATA[O circo tem que tocar suas memórias lúdicas, por isso magia e fantasia são ingredientes indispensáveis. O Tihany, que faz temporada em Salvador, até meados de maio, com o espetáculo Abrakadabra, faz isso. Para os adultos, é uma viagem no tempo, guiada por palhaços, malabaristas, mágicos e contorcionistas. Para as crianças, uma imersão num mundo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7932" class="wp-caption alignnone" style="width: 343px"><a href="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/04/270312DOIS2606.jpg"><img class="size-full wp-image-7932" title="" src="http://revistamuito.atarde.uol.com.br/wp-content/uploads/2012/04/270312DOIS2606.jpg" alt="" width="333" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Luis Pedro | Divulgação</p></div>
<p>O circo tem que tocar suas memórias lúdicas, por isso magia e fantasia são ingredientes indispensáveis. O Tihany, que faz temporada em Salvador, até meados de maio, com o espetáculo <em>Abrakadabra</em>, faz isso. Para os adultos, é uma viagem no tempo, guiada por palhaços, malabaristas, mágicos e contorcionistas. Para as crianças, uma imersão num mundo imaginário. Em cerca de duas horas, o público se diverte, toma sustos com os  trapezistas que voam sobre sua cabeça e se impressiona com os truques do mágico, que faz desaparecer um helicóptero em segundos. Com bastante interação, muitos efeitos especiais e um lado indispensavelmente kitsch,  inspirado nos shows dos cassinos de Las Vegas, o Tihany resgata a ideia de circo como diversão. Na Avenida Paralela, em frente ao Shopping Paralela. Aos domingos, tem sessões às 16 e 20 horas. Ingressos: a partir de R$ 25.  <strong>(Nadja Vladi)</strong></p>
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