Uma serenidade cativante pontua cada uma das frases ditas, ao telefone, por Gilberto Gil. Seja quando ele fala sobre o formato acústico do show Concerto de Cordas & Máquinas de Ritmo, que será apresentado em Salvador, nesta sexta e sábado, na Sala Principal do TCA, com participação da Osba. Seja quando relembra os três anos de exílio em Londres nos anos 1960 – de onde retornou há 40 anos – e para onde volta agora, mais uma vez, como uma das principais atrações do festival London 2012, que integra a programação cultural das Olimpíadas. Seja quando comenta suas descobertas ao chegar aos 70 anos, completados e comemorados em junho próximo, num balanço da vida e da carreira. Esse menino baiano, crescido no bairro do Tororó, que ouvia e gostava de música clássica e de toda variedade de canções populares, admite situar-se, muito confortavelmente, na história da MPB, como um agenciador de ritmos, sempre com um olho atento às coisas nativas e o outro ligado no mundo. Nesta entrevista, Gil fala também sobre o site www.jobim.org/gil/, que disponibiliza 30 mil documentos pessoais do seu acervo – desenhos, cadernos de anotações, fotos –, e sobre a vontade que sente de voltar a morar em Salvador.
NOVO SHOW
Na verdade, esse formato é resultado de experiências que já vêm sendo feitas desde Banda Dois, que eu fazia com Bem, meu filho, só eu e ele. Depois, numa segunda temporada, incorporamos o Jaquinho (Jaques) Morelenbaum com o violoncelo e algumas alterações, acréscimos, no repertório. E agora estamos fazendo esse Concerto de Cordas e Máquinas de Ritmo, que incorpora mais o violino de Nicolas Krassik e a percussão do Gustavo de Dalva. O termo “máquina de ritmos”, que se acrescenta ao título, é exatamente por conta desta inserção das máquinas de ritmo, os instrumentos acústicos, os tambores, o berimbau, enfim. E as máquinas eletrônicas, que também aparecem aqui e ali, em alguns momentos do repertório.
MEMÓRIA
Depois de tantos anos de trabalho, há uma decantação natural de memória. Essa memória, acumulada em vários tipos de suporte na fase analógica, vai agora para a digitalização. Na medida em que as tecnologias foram se ampliando, tornando-se audiovisuais e táteis, foi ficando meio inevitável fugir. Você tem que utilizar, inclusive para propiciar um acesso mais abrangente, mais universal. Os acervos digitais, você pode tê-los nos computadores, em casa, nos telefones, televisores, iPads, em todos esses aparelhos que formam essa grande janela audiovisual. A ideia nasceu disso, meio obrigatória, meio imposta.
UNIVERSO DIGITAL
Tudo isso é muito novo, há aspectos que ainda são muito experimentais, incipientes, as coisas estão ganhando conformação agora. Na verdade, a gente não pode falar de um universo digital já consolidado, já implantado com todos os seus corpus, todos os seus astros, todas as suas dimensões. Há muita variação, muitas possibilidades. Uma coisa que você tocou, por exemplo, no fato dos álbuns, do formato álbum, da necessidade que as pessoas ainda têm de ter capas, encarte, informações ligadas a textos, fotografias, ao making of dos projetos. Tudo isso recupera também, digamos assim, garante trabalho, ocupação e importância a programadores visuais, designers, fotógrafos, artistas plásticos, enfim. Então, ao mesmo tempo que essas tecnologias aposentam muita coisa, elas reintroduzem, reciclam várias possibilidades novas. Não é uma coisa assim que vá acabar com tudo que acontecia antes, que vá abolir completamente as formas de registro anteriores para inaugurar uma coisa completamente nova. Não, é como o próprio cinema, como a própria televisão. A televisão recuperou muita coisa do rádio, incorporou muita coisa do cinema. Da mesma maneira, a internet e todas estas mídias novas estão incorporando coisas das mídias anteriores. O futuro, de certa forma, vai se formando com camadas de presente e de passado.
MÚSICA E CLASSE C
É uma mixagem dos velhos Brasis. O baião é um dos gêneros matrizes da coisa brasileira, como é o samba. Samba e baião são, talvez, os dois grandes gêneros matriciais. Ao mesmo tempo, ao longo da história, eles foram produzindo filhotes, descendentes, derivados. Então, você tem o samba, cuja fotografia principal, digamos assim, era o Rio de Janeiro, urbano, cosmopolita. Com os novos meios de comunicação, as novas técnicas de reprodução, outras formas de samba, regionais, rurais, foram sendo incorporadas. A mesma coisa aconteceu com o baião, representado magistralmente por Luiz Gonzaga. Hoje, você tem os baiões das regiões todas do Brasil. Os baiões amazônicos, os baiões nordestinos, os baiões mineiros, que vão ganhando novos títulos, tornando-se subgêneros, numa divisão enorme de categorias e subcategorias. E é isso, essa é a realidade da música brasileira hoje. Você vai ampliando essas grandes matrizes de gêneros e elas vão se tornando armazéns enormes onde você tem subprodutos e subprodutos e subprodutos. Há muita coisa nova no Nordeste, no Sul, no Centro-Oeste, em vários lugares. Isso tem a ver com essa questão de que o interior vai se tornando capital e a capital vai se tornando interior, o mar vai virando sertão e o sertão vai virando mar.
A elegância romana quer saber da elegância soteropolitana. Do politano de Sotero, Salvador. Como é, lá, o atributo de ser eficaz e simples? Como é, lá, a graça de ser, sem dificuldades? A questão é que, para ser elegante, é preciso saber o que se é. É preciso perguntar e ter a possibilidade de respostas múltiplas e caminhos multíplices. Somos americanos? Somos jovens demais? Somos religiosos em excesso? Somos os hedonistas máximos abaixo da linha do Equador? Somos profissionais? Promissores? O que somos? O que não já conseguimos ser? O que queremos ser?
Se soubermos, poderemos organizar os desejos individuais, geralmente pequenos, possessivos, geralmente dos tamanhos dos egos que se amam e se admiram apenas porque existem, mas não conseguem flamejar sozinhos. Só as suas somas criam o brilho coletivo quando eles se permitem juntar pensando no todo. Por isso, somos responsáveis pela sociedade que ocupamos.
Pelas ruas que dói a alguns olhar, e que outros nem veem. Ou optam por não ver. Pelo que se passa com o cofre onde é guardado o dinheiro comum para a despesa comum. Pelo que é criado, deixado de criar ou destruído. Pelo que se produz e pelo que se deixa. Pelo que se ganha e pelo que se perde. Uma sociedade não pertence a um governo. Pertence a si. E precisa desejar e executar seus quereres. A desigualdade é desajuste do querer. A ignorância. O desperdício. A burocracia.
Há pessoas elegantes e pessoas enfeitadas, advertia Machado. Não estamos elegantes, e abdicamos do enfeitamento. Estamos sem pele em pele de tartaruga. Há excesso de arrogância e desmazelo, antônimos da elegância. E um campo de batalhas permanentes. De guerras eleitorais. De luta pelo poder como objetivo final. Mas o objetivo final do poder é o que se faz com ele quando se tem o poder. Ou o poder é de interesse coletivo ou é apenas uma aquisição individual. De um tirano. De um partido. De interesses possessivos. O uso de pronomes possessivos, meu, minha, meus, minhas, nosso, nossa, nossos, nossas, faz da Soterópolis, da pólis de São Salvador da Baía de Todos-os-Santos, uma sociedade deselegante.
Quando Camillo Fróes, 28, foi convidado para apresentar o Mê de Música, série de programas para a internet, tratou logo de deixar duas coisas bem claras: não ia ficar de piadinha nem “fazer CQC para constranger as pessoas”. Condições aceitas, embarcou no projeto como se o tivesse visto nascer. A princípio, serão 10 episódios quinzenais com a missão de explorar os processos da música feita na Bahia, mas a ideia é buscar apoio para continuar pelo menos até chegar aos “397”. “Quero viver disso”. Para passar naturalidade em frente às câmeras, vale-se da experiência nos palcos. Em 2004, ele fundou, com Vinício de Oliveira, A Outra Companhia de Teatro, grupo residente do Teatro Vila Velha. “Não era um ator muito bom, mas Vinício dizia que eu tinha uma qualidade rara: fazer cara de nada, dar um texto neutro. Achava que ele estava me sacaneando, mas isso é verdade. E é algo bom para um apresentador”. Camilo também está à vontade no papel de jornalista “sem diploma” por conhecer de perto a cena que irá retratar. Além de produzir trilhas para espetáculos, já integrou bandas e há cinco anos é DJ, função que assumiu ao criar o Baile Esquema Novo, ao lado de Luciano Matos. Em junho, a festa acontece no dia 16, no Sunshine (Rio Vermelho). Uma atividade menos artística pode se juntar à sua intensa lista de afazeres: quando se formar em antropologia, no meio do ano, quer entreter adolescentes em aulas de ciências sociais.
É possível parafusar os Centros Antigos em Roma? Talvez. Há uma distância de menos de dez horas do Velho Mundo para o Novo. Mas o tempo de Humanidade que os separa é enorme. Os italianos modelaram a urbis ocidental, com quase todos os seus excessos, presentearam o humano com uma dimensão que ele talvez nem tenha na arte de Miguelângelo, Caravaggio e Da Vinci. E hoje recebem cidadãos do mundo para consumir isso, com bons serviços. Em Roma há problemas, como no resto do planeta, mas se é estupidez escancará-los em áreas produtivas e atrapalhar os negócios da cidade, seu Centro Antigo é perfeito. Come-se bem em qualquer lugar.
ABaía tem construção colonial, mais jovem, gastronomia autóctone, exuberante como a romana, musicalidade ímpar, e a sabedoria tupi de comer as virtudes e cuspir os defeitos. Mas como está a execução do cotidiano? Que casas de shows e que musicais abrigam nossa cornucópia musical? Quando deixaremos de perguntar se a comida ainda está boa, três meses depois do restaurante inaugurado.
Em Roma, spaghettis, pizzas e, eventualmente, um McDonald’s. Na Baía, os manjares são outros. Bons como se bem-feitos. Angus, moquecas, o malassado de Celina, a rabada de Alaíde, os acarajés de Cira, Regina, Dika. Artistas e empresários do Centro Antigo precisam de uma ordem coletiva para manter a qualidade dos seus cotidianos. No sobrado da Via delle Coppelle, internamente contemporâneo, externamente milenar, é possível perguntar pela Baía velha de bons serviços, atestando um grau mais eficiente da humanidade.
Há quem diga que foi sob o sol da Toscana que apareceu a primeira versão da bruschetta, esse antepasto italiano que tem como base sempre uma fatia de pão com algum recheio à escolha do freguês. Diz-se que seu nome deriva da palavra bruscare do dialeto toscano, que quer dizer tostar. Nasceu para ser servido como lanche aos trabalhadores rurais da região, mas se espalhou pelo País e pelo resto do mundo, ganhando as mais diferentes e saborosas versões.
De acordo com o chef Aurélio Agazzi, do restaurante Osteria dell’Agazzi, ela integra a cartela de pratos feitos com simplicidade, por conta da vocação rural da região, mas com sabores elaborados. Ele explica que a base é sempre a mesma. “Uma fatia de pão levemente tostada, com uma ideia de alho e azeite de oliva e o recheio, que podem ser patês, cogumelos ou trufas”.
A mais tradicional leva apenas tomates, cortados em pequenos cubos, azeite e manjericão, temperados com alho e um pouco de pimenta, exatamente como é servida no Boteco Lupetta, do chef Alessandro Narduzzi, e também na Osteria dell’Agazzi. Mas, a partir daí, como aconteceu com a pizza, o céu se torna o limite para diversas invenções.
Em uma versão um pouco mais elaborada, Aurélio Agazzi acrescenta aos tomates uma variedade de frutos do mar – como camarão, lagostim, vieiras e queijo –, que se equilibram em sabor sobre uma pequena fatia de pão artesanal, que é produzido no próprio restaurante.
Trata-se de um pão redondo, com centeio, assado em forno a lenha. A dica do chef é que o pão usado seja dormido, para que ele adquira mais consistência e suporte o recheio. Ele vai ao forno, a primeira vez, para tostar levemente (não pode virar torrada) e, uma segunda, apenas para derreter o queijo. Para temperar, ele usa pimenta-do-reino moída, orégano, salsa e manjericão. Para acompanhar a entrada, Aurélio recomenda um bom vinho branco leve ou um espumante.
Pimenta
No restaurante Di Liana, comandado pela veneziana Liana Allegro, o tempero é quase tão forte quanto seu sotaque, que não perdeu mesmo após quase 50 anos vivendo no Brasil. Entre as versões do prato, servida como aperitivo ou entrada, há uma receita bem picante, que leva bastante tomate sem pele, manjericão, parmesão, alcaparras e azeitonas pretas.
Além de friccionar um dente de alho em cada uma das fatias, sempre altas para suportar a grande quantidade de recheio, a receita pede um pouco de peperoncino (um tipo de pimenta-malagueta) amassado sobre o pão, que também é preparado no restaurante. Na massa, são acrescentados ainda queijo parmesão e bacon sem gordura, o que confere um sabor mais forte ao pão, e ao prato como um todo, sem torná-lo pesado. Mas, para quem quiser se aventurar e tentar fazer a receita em casa, Liana avisa que qualquer pão pode ser usado. “O segredo é não economizar nos ingredientes”, recomenda.
Mr. Armeng chega com o indefectível estilo de rapper americano, mas de longe já se vê que tem mais ginga que marra. Logo que começa a conversar, transforma a impressão em discurso: “Não quero ficar preso ao rap. Quero fazer música baiana”. Nas letras que compõe, nada de protesto. “Falo sobre as coisas simples que a gente vive, relacionamentos, festas”. Prefere deixar a militância para a esfera civil. “Sou morador do Nordeste de Amaralina e sempre participo das caminhadas e reuniões do Conselho de Segurança”. Aos 29 anos, ele prepara-se para lançar Soul love, seu primeiro álbum, que está sendo gravado no Freedom Soul Records – estúdio que criou com o amigo DJ Leandro, em Massaranduba – e terá a luxuosa participação de seu pai, Guiguio (ex-Ilê Aiyê). Uma das faixas do disco, A noite é nossa, já virou clipe e está fazendo sucesso na internet. “Queria chamar atenção com um trabalho profissional. Convidei Max Gaggino para dirigir e chamei as pessoas pelo Facebook para participar. Foi inacreditável… Parecia que não era na Terra”.
Muito indica: Eletronika – Festival de Novas Tendências
postado por Tatiana Mendonça @ 10:02 AM
Salvador entra no calendário do Eletronika – Festival de Novas Tendências, evento que terá, nos dias 11 e 12 de maio, a primeira edição na Bahia. Na sexta, as apresentações ficam por conta do capixaba SILVA, que aproxima sonoridades brasileiras da eletrônica; Wado e seu mix de samba com afoxé (tendo como convidado André Abujamra); e, fechando a noite, o produtor e músico Kassin (com a participação de Arto Lindsay). No sábado, a noite é das duas atrações internacionais, os norte-americanos Cut Chemist e James Pants. Chemist faz uma ligação do hip hop com a música africana e Pants dialoga com o soul e o rap dos anos 1980, electro-boogie, new wave e disco punk. O evento se encerra com o projeto Os Três Temores, apresentação especial dos rappers Emicida, Projota e Rashid. No Cineteatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas). A partir das 20h. Ingressos: R$ 20 inteira. (Nadja Vladi)
Na faculdade de medicina, ele era chamado de Josanildo Dias de Lacerda. Nascido em Monte Horebe, na Paraíba, há 59 anos, o paraibano mais baiano de que se tem notícia é conhecido pela alcunha de Nildão. Jornalista, publicitário, escritor, designer, cartunista, animador, poeta e bon-vivant, já escreveu 15 livros. Para quem trocou a anatomia pelas letras, não tem do que se queixar. Longe dele. Até hoje comemora a mudança de rumo. Tanto que, mesmo tendo conquistado prêmios importantes, como o do Festival de Cannes, o Oscar da publicidade, prefere ficar na varanda da charmosa cobertura onde vive, no Rio Vermelho. É de lá, de onde mira o skyline da cidade, que se inspira para as deliciosas criações. Não à toa, a cidade que adotou há 45 anos foi o principal suporte para a sua arte. Seja no traço, seja na palavra. Ao contrário da maioria dos humoristas, escolheu o caminho da delicadeza para fazer os outros rirem.
Em Me segura que eu vou dar um traço, você diz que este é o primeiro livro baiano sem prefácio de Jorge Amado. Parece que ele não gostou.
Não, ele não gostou. Às vezes eu tenho medo de as pessoas não entenderem a piada. Outra dia, vinha descendo a ladeira aqui de casa, no dia das eleições, e vinha um homem com cara de mau puxando dois cavalos, sem sela, pelo cabresto. Eu não me contive e disse: vai botar para arrotar? Ele disse: “Não, vou não”. Se não entendesse, poderia me dar uma porrada, mas vi que ali tinha uma situação. Há situações em que é complicado se conter. Mas é como respirar, quando você vê já fez a piada. O humor é muito forte. Eu sempre digo que, quando você é pequeno, ou você é forte, ou malvado, ou engraçado, ou vai tomar porrada.
E você optou por ser engraçado?
Claro, não sou forte, não sou malvado, não queria tomar porrada, então decidi ser engraçado.
Você já foi inconveniente?
Não, ainda não. Tem pessoas que dizem para os meus amigos que nunca sabem quando estou falando sério. Isso é ótimo, porque eu nunca estou falando sério.
Nada que está me dizendo aqui é sério?
Não. E pode não ser verdade também. Por que tem que ser?
Isso já aconteceu?
Mesmo num ambiente muito sério, eu já chego brincando. Talvez seja até uma defesa, porque tenho uma sensibilidade muito aguçada. Às vezes, as coisas são muito graves e eu capto. Chego a um lugar e já sei onde fico, porque capto onde tem uma densidade de energia. Outro dia fui a um candomblé de caboclo, no dia 2 de julho, na casa de um babalu que é irmão de Jota Cunha, eu nunca tinha ido lá. Cheguei e falei: tem uma coisa nessa sala muito forte, então decidi ficar na janela. Na hora em que cheguei à janela, a mulher que estava no lugar de onde eu saí baixou o santo. Então eu tenho essa coisa.
Você tem essa coisa da religiosidade?
Não. Tenho da fé, de acreditar nas coisas, nas pessoas. Acho a religião uma maneira de aplacar a solidão. Nós a inventamos para sair dessa profunda solidão em que vivemos. Agora tenho fé, tanto que fiz uma camiseta usando o logotipo da GE.

Por falar nisso, você criou a série de santos “geneticamente modificados”, brincou com o logotipo de marcas fortes. Isso teve alguma implicação?
Já recebi processo. A história dos santos, que criei em parceria com Renato (da Silveira), acabou indo parar no Terra Magazine, do Bob Fernandes, que foi meu colega na Facom (Faculdade de Comunicação). Ele ligou e me perguntou se eu tinha alguma novidade, porque ele estava inaugurando o portal. Eu falei da coleção São será o Benedito, ele gostou, mas disse que teria de pedir autorização à Telefônica, na Espanha, porque a coisa era muito forte. Me ligou de volta dizendo que publicaria apenas 11. Foi um arerê. As pessoas gostaram ou odiaram, até que uma empresa, com sede em Sorocaba (SP), moveu um processo contra a gente. Quando fazia cartum na rua, brinquei com a freira: “Irmã Dulce tem conta na Suíça”, aquilo foi considerado blasfêmia. Acho que você pode brincar, mas tem gente que não entende. Teve também o “Kremlim não compensa”, que eu previ (risos). Tem essa coisa de ser um pouco Madame Beatriz.
Receita da semana: geleia de pimenta dedo-de-moça
postado por Tatiana Mendonça @ 8:53 AM
Ingredientes
1 xícara de pimenta-dedo-de-moça sem sementes
4 xícaras de água
3 xícaras de açúcar cristal
2 limões
Modo de fazer
Bata no liquidificador a pimenta com a água e os limões. Junte o açúcar e mexa bem antes de levar ao fogo. Cozinhe até dar o ponto. Tire amostras da mistura e pingue em um copo com água para testar a consistência, lembrando que quando esfriar, a geleia tende a endurecer mais.
Dica
Use luvas para manusear a pimenta.
O circo tem que tocar suas memórias lúdicas, por isso magia e fantasia são ingredientes indispensáveis. O Tihany, que faz temporada em Salvador, até meados de maio, com o espetáculo Abrakadabra, faz isso. Para os adultos, é uma viagem no tempo, guiada por palhaços, malabaristas, mágicos e contorcionistas. Para as crianças, uma imersão num mundo imaginário. Em cerca de duas horas, o público se diverte, toma sustos com os trapezistas que voam sobre sua cabeça e se impressiona com os truques do mágico, que faz desaparecer um helicóptero em segundos. Com bastante interação, muitos efeitos especiais e um lado indispensavelmente kitsch, inspirado nos shows dos cassinos de Las Vegas, o Tihany resgata a ideia de circo como diversão. Na Avenida Paralela, em frente ao Shopping Paralela. Aos domingos, tem sessões às 16 e 20 horas. Ingressos: a partir de R$ 25. (Nadja Vladi)








